terça-feira, 8 de dezembro de 2009

À torcida alvinegra


Faltou pouco para a torcida botafoguense lotar de cabo a rabo o Engenhão e talvez lotasse, se houvesse a venda online de ingressos e se a diretoria emanasse um mínimo de credibilidade para que os torcedores tivessem a certeza de que não dariam com os burros n’água, como ocorreu no Dia da Criança.

A torcida que compareceu ao estádio no domingo passado é a mesma que apoiou o time de perebas formado por uma diretoria ridícula, e o fez em diversas ocasiões. Esteve presente no jogo contra o São Paulo, colocou 70 mil no Maracanã numa final contra o Resende e superlotou o Engenhão – com uma ‘sobra’ de uns 20 mil fora do estádio – na partida contra o Avaí.

Os torcedores comuns como eu, que não fazem parte de torcidas organizadas, foram ao Engenhão em grande número num momento que o Botafogo estava com a ponta da faca encostada na garganta. Foram assistir a um belo espetáculo de futebol (isso é uma pergunta), a uma exibição fantástica de uma equipe bem montada e confiável, um time aguerrido e brioso e formado por jogadores decisivos, com nomes de destaque, que se empenham até o último minuto de uma partida, que vestem a camisa como se fosse um uniforme de guerra e dão o sangue pelo clube que defendem? Não. Porque o time que ia entrar em campo disfarçado com camisas do Botafogo não correspondia a nenhuma destas qualidades enumeradas e nunca as terá, nem que vivam por 200 anos! E aqueles 39 mil pagantes sabiam disso.

“Então por que foram?”, perguntariam aqueles que não conhecem o torcedor botafoguense. Biriba responde: “Foram apoiar seu time de coração na hora que ele mais precisava e danem-se os pusilânimes que vestissem as camisas gloriosas. Se o recheio não é bom, que salvemos a boa massa pra uma próxima ocasião.”

O Biriba, assim como muitos torcedores esclarecidos, sabe muito bem que a imensa maioria da torcida botafoguense não gosta de porcaria, não apoia time ruim, não aplaude perebas, detesta a mediocridade.

Está provado: À torcida botafoguense não falta amor àquela estrela no escudo. A inteligência que sobra na hora de poupar energia e dinheiro em ocasiões constrangedoras e deprimentes, é a mesma que a faz gastar ambos, e com vontade, nos momentos cruciais. Mesmo quando esses momentos são inevitavelmente constrangedores e potencialmente deprimentes.

Parabéns à torcida alvinegra! É uma honra estar com vocês.

Saudações alvinegras!

Nota A: Faço aqui uma ressalva e tiro da lista de indolentes os jogadores Jefferson, Jobson, Leandro Guerreiro, Diego e Alessandro.

Nota Z: Não mencionei a inexistência de um programa de sócio-torcedor convidativo e de um sistema que facilite o acesso ao estádio, porque isso seria pedir demais para a diretoria que temos, que não consegue nem ao menos vender ingressos pela internet.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O alívio final, coisas boas e o que segue


O domingo foi especial por vários motivos: o Botafogo se livrou do rebaixamento; me encontrei pessoalmente com o Rodrigo Federman – botafoguense cinza chumbo, que assina o blog Cantinho Botafoguense, e com quem convivo quase que diariamente no mundo da internet – e seu irmão Rafael – que, a exemplo do irmão e do pai, faz parte de uma linhagem de botafoguenses que não toleram mediocridade futebolística, moral e profissional –, com o Francisco e seu filho Vitor e mais uma vez assisti a uma partida com o amigo Gil.

Foi muito bom, mesmo, torcer por nossa salvação ao lado deles, pessoas que eu tinha certeza que eram verdadeiros apaixonados pelo Botafogo e cuja vibração é sensivelmente sincera – coisa de quem não vai a um jogo pular carnaval (com todo o respeito ao carnaval). Estava em companhia das ‘pessoas certas’, digamos assim.

Espero por oportunidades semelhantes, mas tomara que o que esteja em jogo seja a conquista de um título, coisa que transmute a energia investida em algum sentimento mais instigante que o simples alívio.

Como vocês podem perceber, o futebolzinho medíocre que o Botafogo apresentou para a sua torcida, e que foi suficiente pra vencer um Palmeiras desmotivado, foi amenizado por vários motivos. E não vou me ater aos aspectos técnicos e táticos de uma partida onde o que estava em jogo era a permanência na primeira divisão do campeonato mais importante do país e, por ter sido a última, me deixou aliviado ao ponto de uma quase total anestesia, tanto física, quanto mental.

Na saída do estádio falei pros meus amigos que eles pareciam ‘sacos de papel vazios’, pois não exibiam muita energia, estavam meio 'moles', o que era natural, já que não faltaram gritos de xingamento e os de comemoração, e muita, mas muita tensão, mesmo – fora o bendito sol. Acho que era o tal alívio. Uma sensação inebriante.

Depois de passarmos um campeonato inteiro convivendo com a parte de baixo da tabela, o que certamente nos atrapalhou o sono em muitas noites, acredito que nós botafoguenses dormimos mais tranquilos ontem.

Mas acordamos certos de que não merecíamos passar pelo que passamos, nós e o Botafogo, e a torcida fará de tudo pra que não aconteça novamente.

Diretoria e jogadores indolentes, vocês podem ter certeza de que não vamos baixar a guarda. Como bem diz o Rui Moura: “Queremos nosso Botafogo de volta!”

Saudações alvinegras!!!

domingo, 6 de dezembro de 2009

Precisamos de todos

(clique na imagem para ampliá-la)

Saudações alvinegras!

sábado, 5 de dezembro de 2009

Torcida Gloriosa

De pé: Cacá, Zé Maria, Manga, Nílton Santos, Pampolini e Rildo.
Agachados: Garrincha, Didi, Amarildo, Quarentinha e Zagallo.

Os times que não entrarão em campo, mas que estarão torcendo pelo Botafogo, seja em corpo ou em espírito, serão distribuídos pelo Engenhão da seguinte forma:

Setor Oeste Superior: Manga, Carlos Alberto Torres, Zé Carlos, Leônidas e Nílton Santos; Ney Conceição, Gérson, Didi e Jairzinho; Garrincha e Quarentinha.

Setor Oeste Inferior: Osvaldo Baliza, Moreira, Zé Maria, Márcio Santos e Marinho Chagas; Carlos Roberto, Alemão, Perácio e Zagallo; Paulinho Valentim e Heleno de Freitas.

Setor Norte: Wendell, Josimar, Wilson Gottardo, Gonçalves e Rildo; Carlos Alberto Santos, Válber, Mendonça e Amarildo; Donizette e Túlio Maravilha.

Setor Leste Superior: Wagner, Joel, Osmar, Mauro Galvão e Rodrigues Neto; Leandro Ávila, Djair, Zezé Procópio e Juvenal, Roberto Miranda e Paulo César Caju.

Setor Leste Inferior: Paulo Sérgio, Cacá, Brito, Nariz e Waltencir; Luizinho, Afonsinho, Martim e Dirceu; Maurício e Carvalho Leite.

O Setor Sul é reservado para a torcida visitante, mas por lá podem ficar ‘infiltrados’, Victor e Ricardo Cruz, pro caso de algum problema na retaguarda. E pra reforçar o ataque, podem se juntar a eles: Mimi Sodré, Nilo Braga, Heitor Canalli, Áttila de Carvalho, Patesko, Octávio Moraes, Rogério Hetmanek, Paulinho Criciúma, Valdeir, Carlos Alberto Dias...

Time foi o que não faltou ao Botafogo ao longo de sua história e torcida é o que não vai faltar neste domingo.

Salve, Tarzan! Sua presença também é esperada.

Saudações alvinegras!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Botafogo x Palmeiras e a Guerra Gaúcha


No primeiro turno o Botafogo foi ao Parque Antártica jogar contra o Palmeiras. O time paulista liderava o campeonato e o Botafogo estava na 15ª colocação, com praticamente metade dos pontos do clube da casa. Mas a desvantagem não se limitava à pontuação e nem a algum critério subjetivo, pois o alvinegro acabara de trocar de técnico e estava desfalcado de seis ‘titulares’ – fora o péssimo preparo físico da equipe, que Ney Franco deixou no seu rastro de destruição.

O novo treinador era a esperança da torcida e eu, um entusiasta da nova contratação. Mas Estevam Soares teve apenas entre três e quatro dias para treinar uns caras que não treinavam nunca! A torcida estava completamente pra baixo, e todos acreditavam que o Palmeiras ia dar uma goleada no Botafogo.

Eu não achava o mesmo, porque alguns dos problemas que o time enfrentaria, poderiam ser soluções. No meu modo de ver, a falta de treinamento comandado pelo novo técnico seria superada pela vontade dos jogadores mostrarem serviço, e a ausência de titulares seria uma oportunidade para o time jogar sem um monte de perebas usuais e com os reservas se juntando ao resto, no empenho em fazer boa figura ao treinador.

O resultado disso foi um time aplicado na marcação e que não deixou o Palmeiras construir coisíssima nenhuma no primeiro tempo. Fizemos um gol e tivemos um pênalti não marcado, porque o juiz tinha preferência pela cor verde. O time acabou cedendo o empate em falha dupla, combinada entre o sempre péssimo zagueiro Juninho e o estreante entre os titulares, Flávio.

Na segunda etapa o Botafogo abriu o bico e um certo sufoco se estendeu até ao final da partida, porque a equipe palmeirense era, sem dúvida alguma, superior à nossa.

Dito isto, gostaria de relembrar à torcida alvinegra, que o time que enfrentaremos é o mesmo Palmeiras que precisou de uma ajudinha da arbitragem, para não ficar em desvantagem de dois gols sob um time desfalcado, sem treinamento tático e técnico, e sem preparo físico.

E ainda existe o agravante de parecerem mais desequilibrados que nós, já que a torcida anda estapeando seus jogadores e eles mesmos se atracando em campo. Fora o presidente do clube que incita os torcedores à violência contra juízes e tenta usar seu poder político para levar a partida para Volta Redonda, num ato que revela o desespero de um time que tinha tudo para ganhar o campeonato mais fácil dos últimos anos, mas titubeou quando estava em vantagem e agora está sob o fogo cruzado da guerra entre os gaúchos.

Porque está claro para o Palmeiras e para todo o povo brasileiro, que o clube vem para uma partida sabendo que não tem chances de ser campeão, já que o Grêmio vai repetir a dose de veneno que o Internacional lhe enfiou no ano passado.


Se soubermos usar a nosso favor a desvantagem que o adversário tem em relação ao Flamengo – e o painel eletrônico do Engenhão confirmará, no decorrer da partida, o agravamento desta desvantagem, que será, e da forma como será obtida pelo oponente, diga-se, uma vergonha –, poderemos sair do Engenhão com o peito aliviado, porque o Palmeiras, por mais olímpico e brioso que seja, sentirá o peso psicológico de ver o título escapando de suas mãos, justamente no decorrer de uma partida.

E o Botafogo não tem nada a ver com isso.

Saudações alvinegras!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Jobson e o Gigante


Jobson era um judeu baixinho que não gostava de academia. Enquanto a rapaziada ficava malhando ferro e trocando pancada com marmanjo, Jobson ficava na dele, curtindo uma praiana e praticando com umas amigas.

Certo dia, os filisteus, uns caras sangue-ruim toda vida e que não iam com a cara dos judeus, resolveram dar um sacode no pessoal de Judá, que era o bairro onde Jobson morava. Marcaram um lugar pra trocar porrada e se encontraram em Azeca, uma quebrada sinistra, lá pros lados do Oriente Médio, bem depois de Niterói.

A chapa já estava quase esquentando quando um tal de Golia, um cara grandalhão e cheio de marra, marombeiro bombado e lutador de Muay Thai, resolveu tirar uma onda e disse que pegava de porrada o primeiro que caísse dentro. E, pra esculachar de vez, ainda disse que se levasse uns tapas de algum manezinho, mandava os filisteus pagar o mico de virar escravos dos judeus.

Saul, que era o cara que mandava nas paradas dos judeus, amarelou na hora do vamos ver. Olhou pra trás e viu sua rapaziada toda com cara de Lucio Flavio e sacou na hora que ninguém ia comprar a bronca.

O tal de Golia era tão grande, mas tão grande, que a turma dele só chamava o cara de Gigante. (Os filisteus eram um povo sem criatividade nenhuma).

Todo dia o Gigante Golia voltava pra encarar os judeus, e os caras continuavam botando o galho dentro. Tremenda situação estranha, os judeus sendo esculachados e o Gigante tirando a maior onda.

Um dia, o pai de Jobson mandou o moleque levar um rango pros irmãos mais velhos, que estavam no meio do pessoal que amarelou pro pitboy. Jobson se interou das paradas e disse que encarava o Gigante numa boa e que ia arrancar o couro do mané.

Todo mundo achava que Jobson era um comédia e ia levar uns tapas. Ninguém botou fé no moleque. Mas Jobson pegou o estilingue e partiu pra encarar o Gigante.



Maior cena estranha: de um lado, um moleque magrelo, de bermuda e com um estilingue na mão e, do outro, um cara sinistrão, marcando uma beca tipo medieval e uma espada ninja.

O Gigante tirou onda com a cara do moleque, dizendo que Jobson era um rosca fina, filhinho de mamãe e que nunca passou da quinta fase do Mu Chaos (o Gigante era meio afetado, mas ninguém tinha coragem de dizer, porque o cara era grande mesmo e vivia treinando jiu-jitsu).

Mas Jobson não encolheu o couro e ainda botou pilha. Disse que já tinha trucidado um monte de mané bombado que gosta de roupa cafona do Final Fantasy e ainda ia quebrar os playstations dos manezinhos filisteus.

Golia riu, “Rá, rá, rá!” e partiu pra dentro.

O Gigante achou que a parada era o maior molinho e veio estufadão pra cima do moleque. Jobson tirou uma pedra portuguesa (aquela pesadona, que tem umas pontas sinistraças) da mochila, colocou na funda (eles falam esquisito pra cacete na terra deles) e mandou no meio da lata do safado.

O Gigante caiu que nem uma jaca podre. Os filisteus falaram: “Ô lôco, meu!(Eles falam assim lá no Egito).




Pra tocar o terror de vez, o moleque ainda pegou a espada do Gigante e cortou a cabeça do maluco. Sinistro!


(Caravaggio: Davi e Golias. c. 1599)

A galera do Gigante passou mal com a cena e meteu o pé. Na debandada um maluco ainda conseguiu meter a carteira de um tal de Fahel, que olhava pra todos os lados meio perdidão.


(Caravaggio: Davi com a cabeça de Golias. c. 1609-10)

Jobson levantou a cabeça do Gigante pelos cabelos e disse: “Mó otário, aí... Falei pra ficar frio, mas neguzinho se esquenta por qualquer besteira e acaba perdendo a cabeça à toa.”

Saudações alvinegras!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Quanto mais difícil, melhor

(Peter Paul Rubens: David Matando Golias. c. 1616)

Sempre tive a impressão de que o Botafogo joga melhor contra equipes tidas como ‘grandes’, do que contra os ‘pequenos’.

Pode ser algum tipo de sentimento de desprezo ao que lhe parece inferior, uma certa altivez. Também pode ser fruto de uma ‘autoconfiança degenerativa’, que se tornou maléfica por se contaminar com o vírus da soberba, ou mesmo uma sina que o conduz a se interessar apenas por grandes desafios.

Seja como for, tenho a impressão de que contra os clubes considerados ‘fortes’ nosso desempenho melhora; assustadoramente para eles, e satisfatoriamente para nós.

Neste mesmo campeonato, que se encerra melancolicamente para o lado do Botafogo, conseguimos melhores resultados jogando contra ‘times grandes’, do que jogando contra os ‘pequenos’.

No comecinho da competição veio o empate em jogo fraquinho contra o Corínthians – o bicho-papão do momento, mas que era na verdade uma espécie de Gasparzinho. Vencemos o Santos, empatamos com o líder, Atlético MG, no Mineirão, e vencemos o Internacional. Na estreia de Estevam Soares o Botafogo empatou com o Palmeiras, no Parque Antártica, com direito à não-marcação de um pênalti, quando ganhávamos de um a zero e 'desfalcados' de seis titulares.

No segundo turno, contra o Corínthians, foi aquela roubalheira a que todos assistimos e ainda arrancamos um empate. Empatamos com o Cruzeiro e o mesmo contra o Grêmio, em outro caso de ataque de mafiosos disfarçados de juízes de futebol. Vencemos o Goiás (uma exceção à regra dos ‘grandes’, pois estava ‘embalado’ e tem um bom time) no Serra Dourada e, no Engenhão, jogando como ‘time grande’, despachamos o Atlético Mineiro. Ainda vencemos o Inter no Beira Rio e o São Paulo ‘de revirada’, em partidas memoráveis; uma pela garra e outra pelo brilho da estrela de Jóbson.

Chegamos à última rodada do campeonato dependendo de uma vitória para não ter que contar com um resultado alheio ou de um empate, que nos leva a torcer para que o tricolor vença a sua partida.

Por incrível que pareça, eu prefiro encarar um ‘time grande’ a ter pela frente um ‘Arranca Toco’ (referência a um time do bairro que meu pai morou quando criança, nada a ver com os adversários pejorativamente chamados de 'pequenos'), pois no mundo botafoguense as coisas acontecem ao contrário. Se fosse um jogo contra um time considerado ‘pequeno’, eu estaria com a guarda baixa, esperando o pior. Mas é contra o Palmeiras, o time do Ex-Ministro de Estado, ‘time de tradição’ e que, ainda por cima, chega à última rodada disputando o título!

Ora, botafoguenses! Se é assim, então melhorou. Era o que estava faltando, era a pedreira a ser encarada. Se quem vem é o Palmeiras, acho que dá pra acreditar na salvação.

Com o Botafogo é assim. É só dificultar, que as coisas ficam mais fáceis.

Nota: Vocês podem ler no Cantinho Botafoguense o texto que me inspirou a escrever esta postagem. O texto do Rodrigo é um comentário que analisa uma reportagem do Lance, na qual é demonstrado que o Botafogo tem ótimo aproveitamento contra os times mais bem colocados na tabela.

Saudações alvinegras!